A Casa do Fundo é um mistério a ser desvendado
por quem
aprecia o turismo rural. Localizada no Pereiro, a 8 Km de Seia, é o local
próprio para descansar antes de uma brava incursão à Serra da Estrela

A sua construção granítica data dos finais do
século XIX e, tipifica a arquitectura sólida e robusta de uma casa pertença
de agricultores abastados. No exterior, respira-se calma e tranquilidade,
observando o verde que se estende aos pés do visitante. Quem entrar pelo
portão, não pode deixar de reparar no antigo lagar com a sua majestosa prensa
de vara e, um pouco mais longe da vista, nas ruínas do forno de pão
comunitário.

A Casa e o seu pátio envolvente é um desses
lugares invulgares que transmitem a inexplicável força da natureza e do
granito. De história que remonta a finais do século XIX, foi, segundo a lenda,
abrigo de João Brandão - o Terror das
Beiras - aquando das suas incursões por
estas terras das "faldas da Serra". Foi, também, local de pernoita
para quadrazanhos, azeiteiros e oleiros que se encontravam de passagem para a
Feira da Boavista, na vizinha localidade de Sameice.

Ao observar a Casa nota-se no trabalho de António
Catarino , o arquitecto a quem foi entregue o projecto de recuperação, a
preocupação em manter o traço arquitectónico original. Os interiores foram
adaptados pela proprietária, Maria Sílvia Mamede, com mestria e sensibilidade
ao conforto e exigências da vida moderna onde as pessoas podem refugiar-se das
grandes cidades, sem terem de se sentir num hotel.

A Casa do Fundo é constituída por três pisos
onde os hóspedes podem usufruir comodidade absoluta. No piso térreo -
instalação que albergava os animais e as alfaias - idealizou-se a área
social,
onde se aproveitaram para decoração velhos utensílios ligados à
faina do campo, curiosidades que nos fazem recuar no tempo. Aqui localiza-se um
amplo e simpático salão com bar e imponente lareira, pretextos mais que
louváveis para bons serões à conversa.

A
cozinha foi mantida no seu espaço original mas,
reflectindo a funcionalidade
dos tempos actuais. No espaço contíguo - a sala
de jantar - é onde à hora combinada D. Sílvia tem a salamandra acesa, a mesa
do pequeno-almoço posta. As iguarias serranas estão dispostas em frasquinhos
gulosos, cestos de vime e pratinhos aromáticos.